Eu sou um fã doentio de Beat’em Ups e assumido admirador da saga Final Fight. Desta forma, vocês devem imaginar que quando Final Fight 3 foi anunciado, eu dei piruetas pela casa, arranquei a cueca sem tirar a calça e saí rodando ela pela rua.Não é uma graça? MAS TÁ ERRADO!!!
Quando joguei pela primeira vez eu ODIEI ESTE GAME COM FÚRIA DIVINA!!! De forma alguma que eu o aceitaria como o digno sucessor de Final Fight 2, um dos títulos que mais amei em minha tola juventude.
Muitas mudanças foram feitas na jogabilidade, visual e tudo mais. Para mim, Final Fight 3 não “encaixava” no universo estabelecido pelos games anteriores e pelo resto do universo da Capcom que girava em torno de Metro City.
Quase duas décadas se passaram desde seu lançamento. Teria o tempo mudado minhas impressões deste que é considerado por muitos como o ápice da série?
Pois é o que vamos ver!!!
É um belo dia na cidade de Metro City e tudo parece bem com o mundo. Crianças brincam pelas ruas, Street Fighters trocam sopapos em plena luz do dia para o deleite dos transeuntes e o Capitão Commando ainda não nasceu, sequer foi transformado em um cyborg brega.DE REPENTE O MAL ATACA!!!!!
...
... de novo...
Aparentemente, todos os criminosos do mundo convergiram para Metro City, pois a cidade não consegue passar dois anos sem uma crise de proporções bíblicas nas mãos. E diga-se de passagem, os bandidos responsáveis por essa barbaridade não estudaram a história da cidade, ou saberiam que este não é o melhor local do mundo para atividades ilícitas.
Digo, o prefeito é um lutador profissional, pelo amor de Deus. Não dá pra ser mais óbvio que esta cidade não é boa pra bandidagem.
Enfim, a gangue Skull Cross resolve continuar de onde a Mad Gear parou em Final Fight 2 e inicia diversos ataques pela cidade. Haggar, sempre disposto a colocar a mão na massa e justificar o dinheiro dos contribuintes, junta-se a Guy (fazendo sua estréia oficial no Super Nintendo) à policial sexy Lucia e ao cara grande e elétrico que quer vingança, Dean, e parte em busca de JUSTIÇA!!!
JUSTIÇA... DIVINA... DAS RUAS!!!
Ahhhhhh sim!!!
A apresentação do game é boa, embora seja bem menos criativa do que anteriormente.Os gráficos são bons, não devem muito aos dos games anteriores, embora sejam mais “frios” que no resto da série. Final Fight 3 faz uso de uma paleta de cores mais sóbria, focada em tons pastéis ao invés das cores vivas de antigamente. Se a idéia era tornar o game mais sério, tudo que conseguiu foi fazer dele mais cansativo aos olhos.
Há exceções ao longo do game (as fotos que ilustram este artigo praticamente me desmentem, boa Amer), mas não são a regra para o game inteiro.
O design de personagens e fases também não é dos melhores e podemos ver um enorme desinteresse dos produtores em equipararem o terceiro game da franquia aos dois anteriores. Os inimigos agora são extremamente genéricos e alguns destoam completamente do universo de Metro City. Ninjas anões cabeludos e jogadores de baseball com máscara de hockey são o tipo de coisa que esperamos ver em Rushing Beat, mas não em Final Fight. Os capangas aqui presentes não possuem o mesmo carisma de El Gado, Rolento e Sodom, nem as garotas conseguem ser sensuais como nossa amada Poison.
E a Poison é um CARA!!!
Pois é. Sem mais perguntas, meritíssimo.
Aliás, de quem foi a idéia de colocar rabo de cavalo e bermuda de lycra em Haggar? Eu ainda votaria nele, mas... diabos...
E pra encerrar minha reclamação... LUCIA??? Isso é tudo que vocês podem nos dar depois da Maki, Capcom? Ok, loirinhas de cabelo curtinho são lindas... MAS A MAKI ERA UMA NINJA PERNUDA!!! NÃO DÁ PRA SUPERAR ISSO COM FACILIDADE!!!
O som deixa a desejar também. Com exceção do tema da primeira fase (For Metro City), a trilha sonora de Final Fight 3 não é especialmente bem composta ou bem executada. Não chega a ser insuportável, mas está muito longe dos temas clássicos, que cantarolavamos alegremente voltando da escola.
Bons tempos.
A jogabilidade foi o ponto em que Final Fight 3 recebeu o maior número de melhorias. Seus produtores não mediram esforços para enfiar o máximo possível de Street Fighter II no jogo.Mas vamos por partes. O jogador tem quatro personagens a sua escolha, Haggar é o mais forte, Guy é o mais equilibrado e indicado para iniciantes, Lucia é a mais veloz e Dean... não serve pra nada, mas por algum motivo ele dá choquinho e isso nos fazia jogar com ele de vez em quando.
Todos os personagens possuíam os ataques tradicionais do gênero: sequências de socos, agarrões, voadoras e todas aquelas maneiras divertidas e hoje lendárias de se causar concussões em meliantes. Além delas, os heróis ganharam a habilidade de correr, algo presente em muitos games do gênero, mas até então inédito em Final Fight.
Pra ser muito franco, é difícil ser democrático com este movimento, na maior parte dos casos, o jogador usará muito ou sequer se lembrará dele. Mesmo assim, é sempre bom ter uma opção a mais para se locomover.
Agora, eu mencionei a inclusão de doses de Street Fighter neste game. Bem, os lutadores não possuem apenas os manjados ataques presentes em um Beat’em Up, como também são capazes de espancar seus inimigos com golpes especiais ao melhor estilo de Ryu e seus amigos serelepes, ativados por comandos ao melhor estilo “meia lua pra frente e soco”, uma belezoca.
Os personagens ainda possuem uma barra de “Special”, carregada conforme se espanca inimigos. Através de um comando específico, é possível alvejar um oponente com um ataque especialmente destrutivo, capaz de eliminar um inimigo comum de primeira e de causar danos homéricos em chefes.
Claro, na época do lançamento não fazíamos idéia de como eram esses comandos, mas hoje em dia a internet mudou tudo, COMBO DE AERIAL SUPLEX E PILÃO GIRATÓRIO EM TODO MUNDO!!! HUUUURYYYYYYAAAAAAAAHHHHH!!!
E lembram das armas? Elas estão de volta! Canos, nunchucks e tudo mais, prontos para que você frature a cabeça de gordões e boazudas. Ainda há uma arma “certa” para cada personagem, que quando usada agora, irá gerar um belo combo no inimigo desafortunado o bastante para ficar na sua frente.
Final Fight 3 também tentou ser menos linear que seus antecessores. Em algumas fases é possível escolher o caminho a seguir, normalmente destruindo alguma coisa no cenário. Se quiser passar em um bar e espancar os alcoólatras lá presentes, basta quebrar a porta do mesmo e entrar, se quiser tomar um busão para outra parte da cidade, deixe a placa do ponto de ônibus intacta, e por aí vai.
Uma boa maneira de se aumentar o tempo de vida útil do game.
Finalmente, se você é um perdedor e não tem amigos, sem problema! É possível jogar um modo em que o computador controla um parceiro, assim você pode fingir por algumas horas que tem um camarada e que não sente uma solidão horrenda que consome seu ser a cada dia.
Claro, o personagem controlado pelo computador atrapalha mais do que ajuda. Em alguns casos, a solidão avassaladora é uma escolha melhor.
Passados todos estes anos, minha opinião sobre Final Fight 3 mudou? Sim, de fato!Não é um game marcante como os que o antecederam, mas acredito que isso se deveu a mau timing. Quando este game chegou as lojas, estávamos todos muito mais interessados no Playstation, Sega Saturn (pelo menos eu estava interessado no Saturn) e Nintendo 64, e o bom e velho Super Nintendo não chamava mais nossa atenção como antes.
Mesmo assim, eu recomendo. Final Fight mesmo quando erra, ainda acerta.
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Exceto em Final Fight Revenge... ou Final Fight Streetwise... mas vamos deixar isso pra lá.
Nota do Amer: 7.5
Cheers!!!




